Tem bicho que a gente dá por enterrado e ele volta mais verdinho. O Croc, aquele crocodilo de mochila que pulava pelos mundos do PlayStation, ganha agora o segundo remaster, que é o jogo antigo refeito com cara nova para os aparelhos de hoje. Croc 2: Kingdom of the Gobbos sai em 29 de outubro de 2026, só em versão digital, para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e computador, pelas lojas Steam e GOG. Quem anunciou foi a própria Argonaut Games, o estúdio britânico que criou o bicho.
E eu digo logo: Croc 2 sempre foi tratado como irmão menor, e não merecia.
O nome que ficou na gaveta
A parte que me encanta é o título. O jogo original, de 1999, saiu só como Croc 2. Mas, enquanto ainda estava sendo feito, ele se chamava Kingdom of the Gobbos — "Reino dos Gobbos", os bichinhos peludos que o Croc passa a vida resgatando. O remaster devolve esse subtítulo, que dormiu quase trinta anos numa gaveta. Achei isso de uma delicadeza crocodilística.
A história é a mesma: o Croc acha uma mensagem numa garrafa e sai atrás dos pais que nunca conheceu, enquanto o Barão Dante, o vilão do primeiro jogo, volta para cobrar a conta. São quatro vilarejos e mais de 40 fases de plataforma em 3D, aquele tipo de jogo em que a graça é pular de um canto a outro de um cenário que dá para percorrer em todas as direções. Tem carrinho de mina, lancha, asa-delta e avião de madeira, e um pulo triplo que não existia antes. A Argonaut promete gráfico melhorado e ajustes nos controles.
O museu, que é onde eu moro
O que me fez parar foi o Croc2pedia, um museu digital dentro do jogo. Tem documento de projeto, material que ficou de fora da versão final e um documentário de 90 minutos com entrevistas de quem fez o original e de quem fez o remaster. Quem gosta de bastidor, como eu, vai se perder ali.
O primeiro remaster, de Croc: Legend of the Gobbos, saiu em 2025 com um museu igualzinho, o Crocipedia. Agora a Argonaut repete a dose.
Um crocodilo que quase foi dinossauro
Bastidor por bastidor, vou contar o melhor. O Croc nasceu de um protótipo, uma versão de teste, feito com o Yoshi, o dinossauro verde da Nintendo. Em 2013, numa entrevista ao Eurogamer, Jez San, fundador da Argonaut, contou que o estúdio montou essa demonstração e apresentou à Nintendo, mas a empresa japonesa não deixava ninguém de fora usar os personagens dela. Então o Yoshi virou crocodilo, e o primeiro Croc saiu em 1997 pela Fox Interactive, que era o braço de jogos do estúdio de cinema. Vendeu mais de três milhões de cópias no PlayStation.
San ainda jura que o protótipo inspirou o Super Mario 64. A Nintendo nunca confirmou, e eu deixo a fofoca onde ela está: na boca dele.
Por que eu ligo pra isso
A Argonaut tinha saído de cena em 2004 e voltou justamente pelo crocodilo. Mike Arkin, um dos dois presidentes da empresa, disse que o retorno do Croc superou o que eles esperavam, e que isso tornou fácil a decisão de refazer o segundo jogo.
Dia 29 tem crocodilo novo-velho na praça. Eu vou estar lá, de mochila e tudo.

