Vinte e cinco anos. Hoje. Em 24 de setembro de 2001, Silent Hill 2 chegou às lojas dos Estados Unidos para o PlayStation 2, o console da Sony. O Japão só recebeu o jogo três dias depois, em 27 de setembro, e a Europa esperou até 23 de novembro.
E eu digo logo, sem pedir licença: esse é o jogo de terror mais triste que já fizeram. Não o mais assustador — o mais triste. É outra coisa, e bem mais rara.
Uma carta que não devia existir
A premissa cabe numa frase e dá arrepio até em quem nunca pegou num controle: um homem chamado James Sunderland recebe uma carta da esposa, Mary. O problema é que a Mary morreu há três anos. Na carta, ela diz que está esperando por ele no "lugar especial" dos dois, a cidadezinha de Silent Hill.
James vai. Você vai junto. E a cidade está coberta por uma neblina tão grossa que o perigo só aparece quando já está do seu lado.
Isso é survival horror, o gênero de terror em que a graça não é sair atirando, e sim sobreviver com pouca munição, pouca luz e muito medo. Só que Silent Hill 2 pega esse gênero e o vira do avesso: os monstros importam menos que a pergunta que martela o jogo inteiro — o que, exatamente, James fez para estar ali?
Eu não conto. Quem não jogou merece descobrir sozinho. Mas aviso: é uma daquelas revelações que fazem a gente olhar para trás e reler tudo o que viu com outro olho. Uma coisa desgracenta de boa.
Quem estava lá
A turma que fez o jogo era a Team Silent, uma equipe interna da Konami, a editora japonesa de videogames. Os créditos principais:
- Masashi Tsuboyama na direção;
- Akihiro Imamura na produção;
- Hiroyuki Owaku no roteiro;
- Masahiro Ito na arte;
- Akira Yamaoka na música.
E que música. Yamaoka cuidou da trilha e do som ao mesmo tempo, e o resultado é um disco que funciona sozinho, fora do jogo — o que pouquíssima trilha de videogame consegue.
Tem mais um detalhe de bastidor que eu adoro. O primeiro Silent Hill, de 1999, foi dirigido por Keiichiro Toyama, que saiu da Konami e foi trabalhar no Japan Studio, o estúdio da própria Sony. Ou seja: a sequência foi feita sem o criador, em cerca de dois anos, e, na minha opinião, superou o original. Decisão esquisita que deu certo, do jeitinho que eu gosto.
A boneca velha que ainda fala
Jogo velho costuma ficar num canto do armário. Este não ficou.
Em 8 de outubro de 2024, saiu um remake — que é o jogo refeito do zero, com gráficos e som de agora — feito pela Bloober Team, um estúdio polonês. Segundo a própria Konami, essa versão nova passou de cinco milhões de unidades no mundo até 31 de janeiro de 2026, somando vendas, downloads e assinaturas. Cinco milhões de pessoas aceitando, um quarto de século depois, o convite de uma mulher morta.
Então, se você nunca foi a Silent Hill, hoje é um bom dia para ir. Leve uma lanterna. E não confie na neblina.